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domingo, 31 de julho de 2011

JOAQUIMTUR DIZ: A palavra de ordem é viajar!!!

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Facilidades fazem com que as viagens entrem no orçamento doméstico dos potiguares
Sérgio Henrique Santos //sergiohenrique.rn@dabr.com.br





Evilázio Júnior costuma viajar duas vezes por ano, para destinos como Argentina, Uruguai, Andes, Chapada dos Veadeiros (GO) e Piranhas, no vale do rio São Francisco (na foto) Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
O fim de tarde num charmoso café com um casal de amigos no cruzamento das ruas Santa Fé e Callao, no centro de Buenos Aires, é uma das imagens marcantes que o funcionário público Evilásio Xavier Cruz Júnior tem de suas inúmeras viagens pela América Latina. O clima intimista das ruas e avenidas da capital da Argentina e a forma saudável com que as pessoas vivem também chamaram a atenção dele. "Me encantei com a forma como eles envelhecem. Enquanto aqui as pessoas mais velhas costumam ficar em casa, lá elas saem às ruas, vão aos chás com amigos, se vestem bem, são ativos. Ou seja, participam da vida da cidade", disse.

Gostar do tango, dos museus, da cultura argentina e de outros países que visitou por conta própria, como Uruguai, Paraguai, e da cordilheira dos Andes (Bolívia e Peru) é uma obstinação de Evilásio, que também se dedica a viajar pelo Brasil afora. "Geralmente viajo duas vezes por ano. Este ano optei no Carnaval pela Chapada dos Veadeiros (GO) e no feriadão de Corpus Christi pelos cânions do Xingó (SE) e Piranhas, no São Francisco (AL). Minha próxima viagem será ao Chile", planeja.

O relato de Evilásio retrata um pouco do que se tornou um hábito da classe média de Natal. Antes restrito às pessoas com maior poder aquisitivo, viajar pelo Brasil e pelo mundo se torna cada vez mais um atrativo para todos os bolsos. O mercado comemora o bom momento. Bárbara Godeiro, gerente de uma loja da CVC Turismo no shopping Cidade Jardim, disse que a expectativa é das melhores. "Desde maio os pacotes de final de ano vem sendo procurados. As pessoas agora já buscam pacotes para o Carnaval e Semana Santa 2012", informou.

No Brasil, os destinos mais requisitados são a Serra Gaúcha, que agrega os eventos Natal-luz, e o Rio de Janeiro, onde acontece a tradicional queima de fogos no Reveillon da praia de Copacabana. No exterior, Buenos Aires, na Argentina, Portugal, Espanha e França, na Europa, e os Estados Unidos são a bola da vez. "As pessoas compram muito para viajar durante esses três meses, dezembro, janeiro e fevereiro. Os pais aproveitam pra viajar porque os filhos estão de férias", disse Godeiro.

"O natalense começa a inserir as despesas com viagens no orçamento familiar. Com a facilidade no pagamento dividido em até 10 parcelas, ele já começa a pagar hoje a viagem que planeja fazer no ano que vem", aponta Ana Carolina Costa, presidente da Agência Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav-RN), que reúne 77 agências filiadas em todo o Estado.

Para se ter uma ideia do quanto os natalenses procuraram com antecedência os destinos turísticos, pacotes para o final do ano, por exemplo, já estão praticamente esgotados. "Agora em julho as pessoas que procuram as agências já estão interessadas em saber para onde vão na Semana Santa", revela Ana Carolina.

Exterior

O principal motivo econômico do crescimento das viagens para o exterior é a valorização da moeda brasileira frente a moedas fortes estrangeiras. Hoje, um dólar vale menos que R$ 1,60 e o euro gira em torno de R$ 2,34, oque faz com que aumentem os custos de permanência dos estrangeiros no Brasil, e barateia a presença de brasileiros lá fora. E como a procura por viagens ao exterior cresce entre 30 e 40% a cada ano, houve um incremento na procura por pacotes para os destinos mais requisitados.

A Argentina lidera, seguido de Portugal, Espanha e França, e dos Estados Unidos (cidades como Nova York, Orlando, Miami e Las Vegas). O segredo para viajar mais e pagar menos se resume em uma palavra: programar. "Quem se programa consegue melhores preços nos hotéis e aeronaves. Aqui no Brasil a bola da vez é o Rio de Janeiro. Atualmente é barato viajar para o Rio, mas a desvantagem é o preço da hospedagem".

domingo, 10 de julho de 2011

Ventos que movem o RN

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Bons ventos devem soprar no Rio Grande do Norte nos dias 17 e 18 de agosto, data do leilão de energia promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e que deve trazer grandes investimentos para o estado no segmento de eólica. A expectativa dos empresários do setor é que sejam contratados de 600 a 800 megawatts (MW) de energia, o que levaria o estado a sair dos atuais 1,6 gigawatts de capacidade instalada para 2,4 gigawatts de potência. O Leilão de Reserva, a ser realizado no dia 18, será disputado exclusivamente pelos empreedimentos voltados para as fontes eólica e biomassa. Segundo o levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estão cadastrados para estas fontes projetos que somam mais de 15 mil MW em capacidade instalada.


Foto:Ana Amaral/DN/D.A Press
De acordo com o presidente do Comitê de Energia Renovável e Meio Ambiente, Sérgio Azevedo, o Rio Grande do Norte é o campeão em projetos de energia eólica habilitados para o leilão. "Fomos o estado com a maior quantidade de projetos aprovados nos dois últimos leilões e acredito que agora será concretizado o que os empresários do setor esperam. Tenho certeza que teremos êxito e muitos desses projetos serão instalados aqui em 2011. A expectativa é que sejam contratados algo em torno de 600 a 800 MW", afirmou. Os leilões estavam inicialmente marcados para julho, mas o volume de projetos cadastrados surpreendeu o governo e atrasou o cronograma por conta da necessidade de análise pela EPE.

Segundo o diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, Jean Paul Prates, existem, atualmente, 55 projetos relacionados a energia eólica em construção no RN, o que soma 1.800 MW de capacidade instalada. "O Ceará está em segundo lugar e, embora tenha mais projetos em operação, possuem 866 MW outorgados. Passamos o Ceará no ano passado e hoje o Rio Grande do Norte é o maior polo de energia eólica do país. Isso é uma realidade", declarou. Jean Paul lembrou que em 2003, o RN nada produzia e hoje é autosuficiente no segmento.

No entanto,segundo Jean Paul, existem alguns desafios a serem superados, alguns comuns a outros estados e outros exclusivos do Rio Grande do Norte. "Um problema específico do nosso estado é a instalação de um polo industrial com fábricas de equipamentos para as usinas e isso só será possível com acesso portuário. O estado concorre e sai perdendo, nesse sentido, para o Ceará, que tem o porto de Pecém, e Pernambuco, como porto de Suape. O RN não é pior que nenhum estado, mas perde em virtude dessa falta de acesso portuário", disse o especialista.

Outro desafio, na opinião do especialista, está relacionado à logística de transmissão dessa energia. "Precisamos escoar essa produção. Vamos chegar em 2014 com 2 mil MW de energia assegurados, em capacidade instalada. Por isso precisamos dessas linhas de transmissão o mais rápido possível", afirmou. O terceiro desafio a ser vencido são os acessos internos. "Não temos estradas adequadas para o escoamento de máquinas, dos aerogeradores", alerta.

Além desse desafio, existem outrosque estão presentes em todo o Brasil. Segundo Jean Paul, a maior é a capacitação de mão-de-obra qualificada. "Isso está sendo tratado e é algo compreensível, pois é um setor novo. No caso do petróleo aconteceu o mesmo. Não existia gente capacitada fora da Petrobras e depois foram se formando escolas técnicas, cursos de capacitação e hoje há um mercado consolidado nessa área de petróleo. No setor eólico, em função da rapidez da evolução, de repente tínhamos muitos MW para construir e pouca gente para trabalhar", disse.

Outro entrave a ser superado são as fontes de financiamento. "Temos o Banco do Nordeste e o BNDES como grandes atores, mas sabemos que eles também tem capacidade limitada, pois existem outros projetos. É preciso pensar em alternativas, criar um fundo de investimentos e financiamentos diretos", afirmou.

Linhão

O desafio das linhas de transmissão pode estar com os dias contados, segundo o presidente do Comitê de Energia Renovável e Meio Ambiente, Sérgio Azevedo. Será apresentado, amanhã, na Chesf em Recife, um projeto - orçado em R$ 600 milhões -, para a construção de uma linha de transmissão ligando os estados do Piauí e Pernambuco. "O projeto será apresentado pela Federação das Indústrias do RN - Fiern - junto com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica). Esse trabalho foi apresentado ao Ministério de Minas e Energia e esse "linhão", como chamamos, certamente ajudaria a solucionar esse problema de distribuição da energia. Temos um diferencial com relação a qualidade do nosso vento, mas o problema é a capacidade de transmitir o que produzimos", afirmou.