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terça-feira, 8 de novembro de 2011

JOAQUIMTUR DIZ: A HORA E A VEZ DE DEÍFILO GURGEL!!!

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Muito
Edição de domingo, 6 de novembro de 2011
A hora e a vez de Deífilo Gurgel
Tido como um dos mais importantes folcloristas do país, potiguar narra sua vida e obra em vídeodocumentário
Sérgio Vilar // sergiovilar.rn@dabr.com.br



Qual o melhor adjetivo para definir Deífilo Gurgel? A obra poética, o apego pela simplicidade e o acervo documental na seara do folclore caminham ao lado dos seus 85 anos. Talvez Deífilo esteja melhor representado em seus versos, nos mestres da cultura popular que estudou e descobriu. Ou quem sabe, nas palavras dos nove filhos, da esposa sempre namorada, dos amigos e admiradores. São muitos os caminhos para se chegar a Deífilo Gurgel. Por isso, o documentário sobre a sua vida será intitulado apenas Deífilo. Assim mesmo, com um "ponto" no final para abrir todas as possibilidades imaginativas para definição de quem ele é e representa para a cultura.

A ideia do documentário foi levantada pelo filho Carlos Gurgel. Após a inércia de alguns profissionais do audiovisual convidados para o projeto, o cineasta Fábio DeSilva deu a atenção merecida à ideia e já iniciou a produção. No sábado passado foi gravado depoimento de mais de uma hora com o protagonista. Deífilo Gurgel esperou quase quatro horas entre montagem de cenário e gravação. O sacrifício valeu à pena. Deífilo contou da infância em Areia Branca junto à gente simples da cidade, a adolescência e o encantamento poético em Caraúbas, até a vinda a Natal e o convite do então diretor da Fundação José Augusto, João Faustino, para chefiar o departamento de cultura.

Daí em diante foram 41 anos de pesquisa teórica e campal pelos interiores e rincões potiguares. Se Cascudo precisou de um puxão de orelhas do colega folclorista Mário de Andrade, que recomendou ao mestre a sair da rede e dos livros para botar a cabeça fora da janela pra ver o que acontece na rua e entender melhor a sua gente, Deífilo iniciou seus trabalhos já com o pé na estrada. E veio desse trabalho externo, durante dias longe da família e sob o sol sertanejo, a maior riqueza entregue por Deífilo ao folclore potiguar e nacional. Chico Antônio, Chico Daniel e Dona Militana são "apenas" a "santíssima trindade" do folclore local. Deífilo foi mais longe...

Folclore mapeado

O documento dos inúmeros grupos folclóricos e seus mestres detentores de uma riqueza quase perdida, abandonada, irreconhecida, talvez seja tão valioso quanto as figuras emblemáticas que hoje povoam o imaginário do folclore local. Os Caboclinhos de Ceará-Mirim, o Fandango e Chegança de Canguaretama, o Maneiro Pau de Portalegre, os bois de São Gonçalo do Amarante são alguns grupos folclóricos legítimos descobertos por Deífilo.

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domingo, 23 de outubro de 2011

JOAQUIMTUR DIZ: Parabéns Profº DEÍFILO GURGEL, nosso Respeito e Estima!!! Joaquim Jr.

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"Meu pai hoje aniversaria. um homem despojado do "muito" que está ai. compartilhao suor do simples e as suas pradarias. coleta com seu coração tudo do que a vida diz para a gente do seu lugar. nada no lago de uma intensa luz, que ilumina tudo que toca e fala. com seus braços acolhe todo aquele que dedilha amor e paixão. um soldado. um incessante peregrino que sempre busca as canções de um templo eterno. porque do que ele fala é como uma sala perfumada de relíquias e tudo que se sonha. papai e tão voo e tão terra. um predestinado, pois nesse seu dia, como o límpido interlocutor de uma nação repleta de justiça e humana paz, aponta os sinais que o mundo dos seus pés pisa. uma cordilheira de enormes cortejos, romanceados pela bendita língua militana. uma câmara repleta de descobertas, vagões, clarões, faróis. um chico, inúmeros chicos espalhados pelos grotões das suas lupas e luvas. e de uma espontaneidade tão lúdica, que embriaga, apaixona todos nossos mais recônditos cantos. assim Deífilo pulsa. ao redor de todos que amam a vida e seus jardins preciosos. como uma permanente alegria que anima o solar das cantigas que embelezam para sempre o seu coração de menino. um navegante raro e inesquecível. como chefe de uma embarcação que alcança a geografia repleta de folias e brincantes. e de uma luminosidade que ampara as histórias cúmplices de náus, báus, festejos. mais do que antes, e bem mais do que depois. papai é para sempre. te amo. tanto, incomensurável. dessa vida tão rara, tão bela. repleta da verdadeira poesia que encanta seu filho assim, tão filho assim!"

JOAQUIMTUR DIZ: Macunaíma Potiguar - Noé Soares em NOMES DO RN

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Esportes
Edição de domingo, 23 de outubro de 2011
"Herói de nossa gente"
Noé Soares, conhecido por Macunaíma, imortalizou a camisa 11 do ABC
Paulo Nascimento //paulonascimento.rn@dabr.com.br
Especial para O Poti



Ídolo da Frasqueira por 10 anos, o ponta-esquerda - que também foi ponta-direita, volante, meia direita, meia esquerda# - Noé Soares, o popular "Noé Macunaíma", lembra com saudade a época em que dividia o gramado com craques como Alberi, Danilo Menezes, Pradera, Cláudio Oliveira e até com quem jogava contra, como Hélcio Jacaré e Ivanildo pelo América e Odilon, vestindo a camisa 10 do Alecrim. Entre 1974, quando veio do Rio de Janeiro para o ABC, e 1984, Noé foi tetracampeão estadual pelo alvinegro potiguar (1976, 1978, 1983 e 1984). "Vim para passar um ano no ABC e estou em Natal até hoje. E virei torcedor do time, com certeza. Acompanho sempre os jogos no estádio", contou Macunaíma, de 59 anos, que é natural do Rio de Janeiro, onde começou sua carreira na Portuguesa carioca.


Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
O apelido foi criado pelo radialista Souza Silva, em alusão à personagem criada pelo escritor modernista Mário de Andrade que era conhecido como o "herói de nossa gente". E o "codinome" pelo qual Soares é tratado até hoje pelos torcedores abcdistas não foi à toa. Por várias vezes, Macú, até mesmo saindo do banco para o gramado, fez atuações inesquecíveis no seu principal palco, o estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado, o Machadão. "Tenho lembranças de vários jogos excelentes do qual fiz parte, principalmente clássicos contra o América. Era comum jogarmos com 30, 40 ou 50 mil pessoas no Machadão. Hoje em dia, quando aparecem 15 mil pagantes falam que foi um bom público", comenta Noé.

Nesta época levando quase sempre o número 11 nas costas da camisa alvinegra, alguns jogos marcaram a memória do ídolo. O primeiro citado pelo ex-jogador é um dos casos pelo qual ele terminou virando o "herói de nossa gente". Em uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 1979, o ABC enfrentava o América-MG, que vencia o time potiguar por 3x1 no primeiro tempo. O resto da história quem conta é o próprio Macunaíma. "Servílio de Jesus, que era o técnico, me chamou para entrar no segundotempo. Eu, que estava voltando de uma contusão, graças a Deus, fui muito bem, fiz um gol e ajudei a equipe a virar o jogo para 4 a 3", conta o carioca. A outra partida citada por Noé ficou na memória por outra razão. "Lembro bem daquele gol de Didi Duarte, do meio do campo, com cinco segundos. Não tem como esquecer quando a gente leva um gol tão rápido, ainda mais sendo um clássico", cita Noé, relembrando a partida de 14 de abril de 1981, em que o ABC conseguiu empatar no apagar das luzes da segunda etapa e levou o primeiro turno do Campeonato Estadual, que viria a ser vencido pelo América.

Para ele, todas as equipes pela qual foi campeão no ABC tinham grandes jogadores, mas os times de 1976 e 1983 foram especiais. "Ganhamos os dois campeonatos quase invictos. Fora que tinhamos valores, em 76, como Pradera, Danilo Menezes, Drailton, Vuca e Reinaldo, assim como em 86 joguei com Dedé de Dora, Marinho Apolônio e Silva, que eram jogadores que desequilibravam qualquer jogo. Quem olhasse para time via, no mínimo, uns sete ou oito craques, diferente de hoje, que o nível é tão baixo", afirma o ex-jogador, que ainda foi campeão paraibano pelo Botafogo-PB e pelo Vila Nova-GO.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

JOAQUIMTUR HOMENAGEIA - ZÉ SALDANHA - EM NOMES DO RN

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A chegada do cordelista Zé Saldanha no céu


É desta forma que os poetas da nossa literatura de cordel, assim intitulam seus folhetos versando sobre a vida daqueles que são merecedores deste privilégio espiritual pós morte. Os cordelistas que seguem o exemplo da religião Católica, logo canonizam os que fizeram o bem aqui na terra, onde vivem tantos que preferem semear o mal... José Saldanha Meneses Sobrinho, nascido a 23 de fevereiro de 1918, no município de Santana do Matos, no Rio Grande do Norte. Era filho do pequeno fazendeiro Francisco Saldanha da Silva e da costureira Rita Regina de Macedo Saldanha. O menino José, muito esperto e curioso, foi vaqueiro, agricultor, almocreve, puxador de gado, aboiador, violeiro, poeta repentista, sapateiro, xilógrafo, cordelista, vendedor de folhetos em feira e artezão de couros. Foi também fabricante de aguardente, sapatos, doces, queijos e violas. Empresário no ramo de sapatos e cachaça. Dono de mercearia e escritor. Como se vê, em matéria de trabalho e cultura, o poeta Zé Saldanha em vida 'só não fez chover, mas bem que preparou o tempo'. Além de exímio declamador era também um contador de causos e um grandioso memorialista de seu tempo. Quem como eu, teve a sorte de cruzar seu caminho, ouviu e aprendeu muitos ensinamentos e saberes, que só os professores da universidade da vida os têm guardados na memória a repassar-nos. Quando conheci o mestre Zé Saldanha, muitos de seus netos nem haviam nascidos. Logo fui recebido em sua casa e adotado como mais um filho. Lá na sua mercearia em Candelária, quase todas as tardes tomava um gostoso café e recebia das mãos de dona 'Jove', um pão francês ainda quentinho recheado com manteiga e queijo do seridó. E seria uma imensa desatenção não receber este mimo de dona Jovelina Dantas de Araújo Saldanha.

Dona Jove o dividia com a dona poesia e desta não sentia ciúmes, pois quando chegava um freguês na sua bodega puchando uma prosa sobre viola ou cordel, o seu marido saia correndo para a conversa e esta despachando os outros compradores tomava conta do comércio, que ajudava na educação de seus 9 filhos. Rosáfico, Altamira, Terezinha, Neto, Rita, Robson, Reneide, Rosemberg e Renilda. Sua filha Reneide vendo que seu pai distribuia com os amigos e visitantes toda a sua produção literária, tratou de imediato de selecioná-la e organizá-la para que a mesma não viesse se perder no futuro, pois o velho Zé Saldanha, não queria ganhar dinheiro com sua poesia, queria era ganhar novos amigos e leitores. Por tal motivo é que tive um grande trabalho, com três dia socado em sua casa, para achar e juntar sua produção cordelística a pedido da editora Hedra, de São Paulo, para lançá-lo nacionalmente com sua biografia e antologia na famosa coleção "Cordel". O poeta Zé Saldanha foi o escolhido em 2001, por esta editora para representar o Rio Grande do Norte, antes quase que desconhecido no cenário nacional da Literatura de Cordel. O poeta seridoense ficou feliz com meu nome como seu biográfo, indicado pelo saudoso amigo Joseph Luyten, doutor pela USP, a citada editora paulista. No dia do lançamento aqui em Natal, Saldanha, sorria e beijava os livros de tanta emoção e alegria dizendo-me: "Agora posso morrer satisfeito, pois graças a você o mundo vai saber de agora em diante a minha história". Vendeu milhares de folhetos como poeta repórter quando contou a história do trágico acidente, ocorrido em 1974, em Currais Novos, durante uma procissão na noite de 13 de maio, onde faleceram 25 pessoas, atropeladas por um ônibus sem freio que desceu a ladeira aonde estavam os fiéis Católicos. Também historiou em seus folhetos dois três tragédias na sua região, com um acidente de um caminhão, afogamentos em um açude e o assassinato do amigo e também poeta Zé Milazez, cujos versos demonstram o apreço pelo amigo e a revolta pelo assassino deste: "Matou José Milanez/Nosso poeta benquisto/Que foi homiciado/Pelo destino imprevisto/Que matou como mataram/ Os Santos apóstolos de Cristo..". Publicou milhares de folhetos em vida, muitos deles perdidos, pois quando ia procurar a cópia original já não se encontrava em seus arquivos e diante de minha pergunta pelo desaparecimento do folheto, respondia-me rindo: "Eu acho que dei a um portador que veio aqui e pediu-me o folheto". Alguns destes foram recuperados pela memória tempos depois. Escreveu cordéis pequenos, romances e almanaques. Na área do gracejo e humor publicou muita coisa engraçada, ficando nacionalmente conhecido o seu folheto/poema: "Matuto no Carnavá", sendo depois transformado em peça teatral. Quando o jornalista e apresentador Tarcísio Gurgel o convocou para o seu depoimento ao programa da TV Universitária 'Memória Viva', o poeta Saldanha, não teve dúvidas e convidou para auxiliar na entrevista dois grandes amigos: José Lucas de Barros e Gutenberg Costa. O que os telespectadores não souberam é que eu chamado de surprêsa, quase não podia falar por causa do meu palitó velho e de tão apertado que estava, se demora mais um pouco teria morrido sem folêgo... Em seu último aniversário dos 93 anos, o velho amigo poeta estava com o mesmo senso espirituoso de sempre, alegre e declamando seus versos aos presentes. Quando lhe disparei a pergunta em forma de pedido: Nos dê o prazer de estar juntos na sua festa dos 100 anos, o mesmo em cima da bucha responde-me filosofando: "O futuro só Deus é quem sabe!". E Deus, com certeza estava tão ansioso de ouvir seus poemas, que o chamou no último dia 9 de agosto. Agosto, mês de luto da poesia popular do RN. Folheando um de seus folhetos com emoção de ter pardedi um pai, leio os seguintes versos: "Quando vagar a notícia/Que Zé Saldanha morreu/ Alguém diz até chorando/Que o Rio Grande perdeu/Um Zé que nunca mais/Vem outro Zé como eu...". E para contar em rimas cordelescas como Zé Saldanha, chegou no Céu e numa grande festa foi recebido com abraços de Chico Traíra, Severino Ferreira, Chagas Ramalho, Onésimo Maia, Zoroatro Rangel, Zé Milanez, Manoel Macedo Xavier, Pedro Jacob, Elizeu Ventania e tantos outros, só tendo muita poesia e sabedoria no quengo. Duas coisas que invejo dos poetas populares. Zé Saldanha deixou em seu rastro aqui na terra, uma bela história de vida, história que será contada em cada canto, por cada amigo, leitor ou familiar, esteja aonde estiver-mos.

* Artigo de Gutemberg Costa(Folclorista,Pedagogo e Advogado)
** " Um Avô muito querido de minhas Amigas Monalisa e Beatriz proprietárias da Escola de Ecologia, SERTÃO BONITO em Currais Novos/RN, Minha homenagem e meu pesar!!!". Joaquim Jr

sábado, 20 de agosto de 2011

Veríssimo de Melo em debate

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Homenagem a Veríssimo de Melo no SESC - Centro de 22 à 26 de agosto, sempre das 9 às 12h, clicando no link abaixo, leia matéria completa do jornal on line TN.Américo é autor de Viagem ao universo de Câmara Cascudo



domingo, 24 de julho de 2011

JOAQUIMTUR HOMENAGEA: D.MARIA DA APRESENTAÇÃO OLIVEIRA CASTRO ou simplesmente NÊGA - NOMES DO RN

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Uma vovó campeã

Aos 65 anos, Dona Maria mostra que nunca é tarde para praticar esporte. Ela é fera no badminton
Luan Xavier // luanxavier.rn@dabr.com.br

Ela não é uma vovó daquelas mais tradicionais. Em vez das tardes de filme em casa ou bordado, aulas de dança, corrida, futsal e natação. Aos finais de semana, no lugar de descansar, Dona Maria da Apresentação Oliveira de Castro, de 65 anos, mais conhecida como Nêga, faz questão de ir a pelo menos dois forrós: um na Associação de Viúvas do Rio Grande do Norte (Avirn) e outro, um tradicional pé-de-serra, em Ponta Negra. Entretanto, o que mais impressiona nela é sua habilidade com um esporte que usa uma certa raquete, um pouco distinta daquelas usadas no tênis, e que, em vez de bola, tem uma peteca como objeto de lançamento: o badminton.

Que o badminton, espécie de mistura do jogo de tênis com o de peteca, é um esporte que ganha a cada dia mais popularidade no Rio Grande do Norte muita gente já sabe. O que a reportagem de O Poti/Diário de Natal descobriu é que essa nova onda atinge também a terceira idade, público que já conta com categoria específica em quase todas as competições realizadas no estado. Dona Maria é uma das participantes e já consegue fazer uma coleção de medalhas, contando inclusive com a de campeã estadual. Para ela, o que mais vale é o prazer de praticar um esporte que até bem pouco tempo era totalmente desconhecido para ela, mas que chamou sua atenção logo de cara. Seu primeiro contato com o esporte foi na instituição de ensino Facex, que mantém um projeto destinado à terceira idade. Logo que viu, Dona Maria conta que já quis aprender a jogar peteca usando a raquete. "Eu fui a primeira e dizer que queria fazer. As outras ficaram um pouco com medo, mas, aos poucos, a gente foi montando o time", lembra a aposentada.

Depois que conseguiu convencer a amiga Marileide, as outras começaram a vir com mais facilidade. De forma mais natural ainda começaram a vir os resultados. A última medalha foi o bronze na primeira etapa do Circuito Estadual de Badminton, realizado em março passado. A próxima, se depender de Dona Maria, será na segunda etapa, prevista para iniciar no final deste mês de julho. Mesmo já tendo contato com vários outros esportes, Dona Maria diz que o badminton chegou na hora certa e que só depois dos 60 é que conseguiu se encontrar dentro de uma atividade.

"É o melhor esporte que eu já fiz na minha vida. Só vou parar de praticar quando eu morrer", afirma.

sábado, 23 de julho de 2011

JOAQUIMTUR DIZ: DEÍFILO GURGEL- NOSSA HOMENAGEM!!! EM NOMES DO RN

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Yuno silva
repórter

Há exatos 40 anos ele descobriu as cores da cultura popular em São Gonçalo do Amarante, e desde então dedica-se à trabalhosa - e prazerosa - missão de revelar o que é que o folclore potiguar tem. Exemplo da máxima 'amor à primeira vista', Deífilo Gurgel encantou-se pelo bailado do Boi Calemba Pintadinho, do Mestre Pedro Guajiru (grupo que hoje está sob a batuta do Mestre Dedé Veríssimo), assim que avistou os brincantes em seus trajes cheios de fitas e espelhos, um encontro que mudou para sempre a vida deste guardião das tradições culturais.

alex régisDeífilo Gurgel finaliza o livro Romanceiro Potiguar, obra que reúne 300 romances e entrevistas, além de um registro em K-7, digitalizado pela Biblioteca Amadeu AmaralDeífilo Gurgel finaliza o livro Romanceiro Potiguar, obra que reúne 300 romances e entrevistas, além de um registro em K-7, digitalizado pela Biblioteca Amadeu Amaral

"Era lindo ver aquilo (o Boi), me apaixonei na hora quando vi as roupas dos galantes (brincantes) reluzindo ao entardecer, e não larguei mais", disse o pesquisador, folclorista, escritor e poeta no alpendre de sua casa no Tirol. Do alto de seus 84 anos, o experiente Deífilo reconhece que começou tarde seu trabalho, mas o fato não o impediu de ser visto como autoridade quando o assunto gira em torno do folclore Norte-riograndense. "Depois daquele dia (em 1971), descobri o folclore e comecei a viajar pelo RN para registrar tudo o que estava a meu alcance", lembra.

E é justamente para tratar sobre seus registros ainda inéditos que a reportagem do VIVER procurou o folclorista, que está em plena atividade debruçado sobre a obra "Romanceiro Potiguar". Deífilo Gurgel trabalha há mais de 15 anos nesta publicação, fruto de uma pesquisa de dez anos realizada entre 1985 e 1995. "Essa demora toda é por causa do volume de material coletado durante a pesquisa. É trabalhoso e demorado mesmo, sem falar que vamos nos envolvendo com outras coisas", justifica. "Nem sei quantas horas de gravação cheguei a fazer, mas ouvi uns 300 romances e entrevistei mais de 100 pessoas", enumera.

Entusiasta de primeira grandeza, Gurgel se diz surpreso com a quantidade e qualidade das entrevistas e das descobertas: "Rodei todo o Estado para fazer esse levantamento do que ainda resta dos romances ibéricos imortalizados por Dona Militana, de São Gonçalo do Amarante. Não imaginava que encontraria tanta coisa!". Ele frisa que sua pesquisa vai de encontro à constatação do musicólogo e historiador Mário de Andrade, que circulou pela região no final da década de trinta catalogando as sonoridades nordestinas. "Mário de Andrade reclamou de não ter encontrado romances por aqui, mas temos que ver ele passou um mês e meio no RN e circulou pouco", disse o potiguar. Vale registrar que foi Andrade quem topou com o coquista Chico Antônio, alçando-o ao patamar onde se encontra até hoje.

Para publicar "Romanceiro Potiguar", Deífilo recebeu propostas do deputado Estadual Fernando Mineiro, que ofereceu, entre outras coisas, apoio logístico para digitação de todo o material; e do Senador João Faustino, com quem trabalhou na Secretaria Municipal de Educação de Natal na época que 'despertou' para o folclore - conversa esta mediada pelo advogado, escritor e presidente da Academia de Letras do RN Diógenes da Cunha Lima. "São apoios individuais e Diógenes perguntou se dava para entregar o livro até 15 de agosto, por isso estou trabalhando ligeiro para ver se dá tempo", adianta.

Descobertas

Os dez anos de pesquisa, apoiadas pela UFRN, renderam boas descobertas à Deífilo Gurgel, mas grande parte dos entrevistados já faleceram: "Sei que há gente nova que herdou esse conhecimento dos romances, mas só uma nova viagem para identificar essas pessoas", esclarece o pesquisador. O potiguar de Areia Branca contou que o "romance mais interessante que conheci foi 'Milagre do Trigo', apresentado por Dona Militana. Só ela sabia cantar e cheguei a chamar temporariamente de 'Jesus Cristo e o Lavrador', até que conheci o professor português JJ Dias Marques, da Universidade de Algarves em uma evento em Sergipe. Ele me disse que já tinha ouvido o romance, mas que só tinha conhecimento de versões em espanhol", disse.

Outra grande descoberta do ex-professor de Folclore Brasileiro do Departamento de Artes da UFRN foi o romance "Paulina e Don João", recitado por Dona Maria de Aleixo em Nísia Floresta. "Dona Maria mescla elementos italianos, uma raridade no RN pois geralmente os temas são ibéricos (Portugal e Espanha)", enfatiza.

Fabião das queimadas

A terceira descoberta destacada por Deífilo foi o romanceiro Pedro Ribeiro, em São Pedro do Potengi. De acordo com Gurgel, Seu Pedro conhecia cantigas antigas dos tempos áureos da pecuária potiguar. "Cantou vários fragmentos de romances criados por Fabião das Queimadas (1848-1928), mas fiquei impressionado mesmo foi com o 'Cavalo Moleque Fogoso'. Fabião era negro, ex-escravo e analfabeto, mas é o único compositor de romances", garante o folclorista. "Cascudo dizia que Fabião era um poeta medíocre, eu não acho", sentencia.

Segundo as pesquisas, no RN só há romances de origem ibérica, principalmente portugueses, que representa cerca de 80% de tudo o que se conhece. "Para melhor compreensão, estabeleci uma espécie de classificação dos romances: de Portugal temos o 'Romance Palaciano', que trata das intrigas da nobreza; os 'Romances Religiosos' e o 'Romance Plebeu'. Já entre os brasileiros temos o 'Romance da Pecuária', 'Romance do Cangaço' e os 'Romances Burlescos', cantados nos circos de antigamente", explica.

Na opinião do folclorista, são três as romanceiras de maior importância no RN: Dona Militana, que sabia mais de 30 romances; Dona Jovina Monteiro, conhecedora de outros 20; e Maria de Vito, da praia de Caraúbas. "Maria de Vito não sabia muitos romances, mas tinha algumas raridades para mostrar como a 'Xácara dos namorados', que tem pouquíssimas versões no Brasil", orgulha-se.

Além dessas raridades, Deífilo disse que o livro trará três romances inéditos: "São romances marítimos do Fandango que escutei de Seu Atanásio Salustino, pai de Dona Militana. São eles o 'Romance Capitão da Armada', Romance do Corsário da Índia', e a 'Xácara da Nau Catarineta'. São pérolas ainda não publicadas em nenhum outro lugar. Igual este livro no Brasil, com essa temática de romances, só outros dois: um de Jackson da Silva Lima (SE) e outro de Doralice Xavier (BA)", garante.

Biblioteca digitaliza romances

As entrevistas foram gravadas em fitas K7, e ficaram guardadas por muitos anos. Com receio de perder o material, Deífilo Gurgel entrou em contato com instituições e a Biblioteca Amadeu Amaral, do Rio de Janeiro, ligado ao Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - Museu do Folclore, se interessou pela pesquisa. "Enviaram duas funcionárias que levaram as fitas para serem digitalizadas, depois me devolveram os áudios em CD e DVD", lembra.

A proposta inicial de Gurgel é lançar o livro, cuja abertura será assinada por Paulo de Tarso Correia de Melo (presidente do Conselho Estadual de Cultura) com CDs de áudio. "Não entendo muito de música, mas me emociono quando ouço romances como a 'Bela Infanta', apresentada por Dona Militana. Deve ter muita coisa para se ouvir por aí ainda, mas só com um projeto elaborado pelos órgãos culturais podemos registrar isso. Infelizmente os Governos não estão interessados em preservar essa memória", lamenta o autor, que vê o município de São Gonçalo do Amarante como o grande celeiro da cultura popular norte-riograndense. "SGA preserva todos os costumes antigos e a prefeitura de lá precisa atentar para isso e valorizar", aposta.

Passando por uma fase difícil, quando se recupera de uma cirurgia realizada em maio para extrair um tumor benigno na próstata, Deífilo diz que está entre os parentes que mais "esticaram a vida" e pretende, além de lançar "Romanceiro Potiguar", lançar mais dois ou três livros antes de "atravessar o lago da solidão" - diz citando soneto recém escrito. "Estive meio deprimido, mas já estou me recuperando", avisa.

*Fonte:www.tribunadonorte.com.br

sexta-feira, 8 de julho de 2011

VERISSÍMO DE MELO - NOMES DO RN

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O saudoso escritor, folclorista, advogado e jornalista Veríssimo de Melo (1921-1996) será homenageado nesta sexta-feira, às 17h, durante solenidade na sede da Academia Norte-Riograndense de Letras (ANRL), da qual foi membro e secretário dedicado. Durante o evento haverá três debates temáticos com a presença dos acadêmicos Vicente Serejo e Diógenes da Cunha Lima, cujo tema da mesa-redonda será "Veríssimo e a Academia".

O jornalista Woden Madruga falará sobre a relação de "Veríssimo e o Jornalismo"; e o estudioso Severino Vicente discorre sobre o tema "Veríssimo e o Folclore".

Natalense da gema, Veríssimo de Melo publicou 14 livros - boa parte deles dedicados a assuntos antropológicos - e ministrou aulas de Etnografia do Brasil e Antropologia Cultural na UFRN. Membro do Conselho Estadual de Cultura, foi um pesquisador interessado nas manifestações populares que povoam a identidade cultural do potiguar, cujos estudos sobre o folclore se intensificaram no final da década de noventa, quando se aposentou como professor da Universidade Federal.

Articulista e ensaísta, é autor de obras importantes para se compreender o contexto cultural do RN. Publicou "Adivinhas" (1948), "Acalantos" (1949), "Parlendas" (1949), "Jogos populares do Brasil" (1956), "Gestos populares" (1960), "Cantador de viola" (1961), "O conto folclórico no Brasil" (1976), "Folclore brasileiro: Rio Grande do Norte" (1978), "Folclore infantil" (1965), "Tancredo Neves na literatura de cordel" (1986), "Medicina popular no mundo em transformação" (1996), além do póstumo "Natal há 100 Anos Passados" - estudo histórico realizado em 1972) e lançado em 2007 pela Sebo Vermelho Edições.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

JOAQUIMTUR HOMENAGEA CORONEL CASCUDO - NOMES DO RN

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A biografia de um potiguar ilustre

Estou aqui com esta bela edição do livro Coronel Cascudo – O Herói Oculto, de Anna Maria Cascudo Barreto, EDUFRN, 270 páginas, sem preço definido. Trata-se da biografia de um homem importante para a cultura potiguar, por ter sido o pai dedicado do nosso grande Luís da Câmara Cascudo. Uma biografia escrita pela neta do biografado. Tecnicamente bem editado, o livro em papel branco e tipos grandes, é facilitador da leitura pelo leitor mais maduro. O anexo, com material fotográfico apresenta um rico acervo familiar.

Pois bem. Sou um leitor fanático de biografias. Sempre que posso, carrego comigo um livrinho com a biografia de alguém interessantee dou preferência a biografias curtas. Não gosto de me embrenhar em calhamaços sobre a vida de alguém. Este livro de Anna Maria tem essa vantagem, não é muito extenso. Outra coisa que em chamou a atenção foi o lúcido ensaio crítico de Tarcísio Gurgel, na introdução do livro. O professor coloca no lugar certo este gênero pouco explorado em terras potiguares. Não pela falta de grandes vultos, mas principalmente pela prosa insípida que é a praga das biografias.

Anna Maria tenta fugir deste obstáculo com a confecção de capítulos curtos, bem curtos, em que ela vai traçando um cenário em torno do biografado. Ela começa falando so costumes, depois do comércio local, da política e aos poucos vai traçando um retrato deste homem que tão representou a classe dos homens de negócio no início do séxulo 20 em Natal. O subtítulo desta biografia vem bem a calhar, quando se sabe que o Coronel Cascudo é um pioneiro da imprensa potiguar. Ele fundou um jornal, pensando principalmente em fornecer um canal de expressão para seu filho intelectual Câmara Cascudo. Imagine um espírito inquieto como o do grande folclorista com um jornal na mão, hein?

Como empresário o Coronel Cascudo conheceu o apogeu e a queda. A quebra da Bolsa de Valores em Nova York e a crença na honestidade alheia, dilapidaram seu patrimônio financeiro. Mesmo assim, ele continuou altivo, frequenando os ambientes da alta sociedade natalense, querido por todos. Ao contrário da maioria dos biógrafos, Anna Maria optou por uma narrativa não cronológica. Então, a notícia do falecimento do Coronel Cascudo ocorre logo nos primeiros capítulos. Depois ela retoma a ntrajetória do avô, a partir das notícias sobre seus bisavós.

A partir daí ela retoma a história da vida de seu avô, sua carreira militar, seus feitos heróicos e utiliza uma boa quantidade de páginas para narrar os acontecimentos na Serra do Doutor. Acrescido de provas documentais e capítulos descrevendo o caráter do homem público, o livro de Anna Maria dá conta do recado. Acho que é mais um apoio para os que estudam ou querem conhecer melhor a vida familiar de Câamara Cascudo.

O jornalista e escritor Ticiano Duarte diz no prefácio do livro: “Quando era estudante ginasiano, ouvia falar do Coronel Cascudo, pai de Luís da Câmara Cascudo, da sua fama de homem poderosos e rico, uma espécie de dono da cidade. As sessões do cinema Royal só começavam com a presença do casal Francisco Cascudo – Donana. O mesmo ocorria no cinema Plytheama, na Ribeira, nos áureos tempos de riqueza e progresso no bairro comercial.

Francisco Justiniano de Oliveira Cascudo era o seu nome, nascido em 1863, falecendo em 1935. Comerciante, tenente do antigo Batalhão de Segurança, ajudante de ordens do governador Ferreira Chaves, coronel da Guarda Nacional. Políticos, deputado estadual em diversas legislaturas e membro da Intendência Municipal de Natal. fundou e manteve de 1914 a 1937, o jornal A Imprensa.

Sua casa comercial era conhecida como a mais sortida no ramo de vendas de louças, ferragens e materiais de construção. Localizada na esquina da Rua Dr. Barata com a praça Ausuto Severo e Travessa Aureliano. O prédio tinha nove portas de entrada e o escritório do Coronel Cascudo, no fundo do estabelecimento, era visitado pelas figuras mais ilustres da cidade, políticos, comerciantes, advogados, médicos. O proprietário fazia questão de receber pessoas humildes que o procuravam, operários, homens do povo que ali iam a busca de apoio e auxílio financeiro.

O escritor Thadeu Lemos, que cheguei a conhecer, no Rio de janeiro, conta que o escritório, assemelhava-se a um centro de assistência social. Muitos entravam ali levados por uma necessidade de socorro urgente. E acrescenta o historiador, na apresentação do livro de Luís da Câmara Cascudo, sobre as Velhas Figuras: ‘Coronel Cascudo conhecia todo mundo e aqueles que sabia estarem realmente necessitados, eram atendidos com carinho e sem humilhação’.

O testemunho geral é o de que ele foi um homem que usou seu prestígio na política e na sociedade para ajudar os que lhe batiam à porta. Jamais pedia para os seus ou para si próprio. Generoso com todos, dos mais afortunados aos mais pobres.

Contava-se do dinheiro que gastava para eleger os amigos políticos. Financiava eleições, como financiava os amigos comuns em dificuldades. Jamais executou devedores, perdoando dívidas de forma perdulária, em prejuízo da própria família. Tinha, no Rio Grande do Norte, perto de 1.200 afilhados, filhos de ricos e de pobres.

A sua mansão, famosa, era uma chácara no Tirol, Vila Cascudo. Ali ele recebia os amigos, diariamente, e a visita das figuras mais ilustres da terra. O governador Ferreira Chaves, todos os dias visitava a biblioteca do seu filho, Luís da Câmara Cascudo.

Quando a cidade tinha apenas o jornal oficial, A República, Francisco Cascudo fundou um jornal diário, A Imprensa, que circulou durante quatorze anos sob suas expensas.

Esse homem de tantas qualidades humanas, um dia empobreceu. Leio com tristeza no arquivo epistolar de Adauto Câmara, organizado por Raimundo Soares de Brito, uma carta ao seu pai, Teódulo Câmara, narrando a saga do velho Cascudo, executado por um credor impiedoso. A questão com o italiano Babini, que segundo o missivista estava sendo desumano com o velho coronel: ‘tudo que Cascudo possui, a casa com todos os terrenos e demais dependências, avaliados em 150 contos’. E acrescenta Teódulo Câmara: ‘E nem um amigo lhe aparece para auxiliá-lo. O mundo é assim. Tanto benefício que ele fez quando se achava bem, para não ver hoje quem lhe estenda a mão amiga’.

O velho Cascudo foi político num tempo em que a política não era ainda negócio, nem pé-de-meia para outras arrancadas carreiristas. Thadeu Lemos mesmo desabafa: ‘O cidadão ingressava rico na política e saía pobre’.

O exemplo do velho Francisco Cascudo ficou na história, na cidade que ele amou, na memória do povo que ele serviu. Morreu pobre, sem bens e dinheiro, mas deixou um patrimônio que o Rio Grande do Norte inteiro ainda venera: o filho que produziu, para honra e glória de sua terra, Luís da Câmara Cascudo.

Fernando Pessoa já tinha dito: Outros homens haverão de ter o que houvermos de perder.”


* Carlos de Souza - fcarlos@tribunadonorte.com.br
**Publicação da Tribuna do Norte - 25/05/2011 - Toque (Livros & Cultura)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

PROFª AMANDA GURGEL - NOMES DO RN

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Professora Amanda Gurgel, do RN, fala sobre situação crítica da educação e vira heroína nas redes sociais

Plantão Publicada em 18/05/2011 às 15h55m

RIO - A professora do Rio Grande do Norte Amanda Gurgel virou heroína da causa da classe, por melhores salários, nas redes sociais. Um vídeo no qual ela silencia os deputados do RN em audiência pública quando fala sobre a situação crítica da educação já tem mais de 54 mil visualizações no You Tube. Desde o começo da tarde desta quarta-feira (18) o nome "Amanda Gurgel" já está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter. Em seu depoimento, Amanda Gurgel acaba fazendo um resumo preciso sobre o quadro da educação no Brasil apresentando seu contracheque de R$ 930 reais. "Como as pessoas até agora, inclusive a secretária Bethania Ramalho, apresentaram números, e números são irrefutáveis, eu também vou fazê-lo. Apresento um número de três algarismos apenas, que é o do meu salário, de R$ 930".
A professora continua seu discurso dizendo que "os deputados deveriam estar todos constrangidos com a educação no estado do Rio Grande do Norte e no Brasil. Não aguentamos mais a fala de vocês pedindo para ter calma. Entra governo, sai governo, e nada muda. Precisamos que algo seja feito pelo estado e pelo Brasil. O que nós queremos agora é objetividade".



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2011/05/18/professora-amanda-gurgel-do-rn-fala-sobre-situacao-critica-da-educacao-vira-heroina-nas-redes-sociais-924489175.asp#ixzz1MnlZOUzP
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sábado, 16 de abril de 2011

CLARA CAMARÃO - NOMES DO RN

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Clara Camarão, índia guerreira

Pertencente à tribo potiguar que habitava a margem esquerda do rio Potengi. Clara Camarão nasceu provavelmente em Aldeia Velha, arredores de Natal, na segunda metade do século XVIII. Não há registro do local e data de sua morte.


A bela índia que se sobressai nos primeiros capítulos da nossa História recebeu o nome de Clara Camarão ao se batizar e casar com Antônio Felipe Camarão, o índio Poti, da nação potiguar, herói da guerra contra os holandeses.


Depois de casada, Clara passou a acompanhar o marido em todos os combates. Guerreira, rompeu a secular divisão de trabalho da tribo ao se afastar dos afazeres domésticos, no tempo necessário, para participar de batalhas. Dominava o arco e a flecha, a lança e o tacape.

Montada a cavalo, investia contra as espadas e os arcabuzes do inimigo. Como não podia lutar lado a lado com o marido, proibição imposta pelos costumes tribais, formava um pelotão de índias potiguares sob seu comando. Segundo Abreu e Lima, Clara Camarão, de uma valentia incrível, afrontou “todos os perigos, castigou por muitas vezes o inimigo e penetrou nos mais cerrados batalhões. Ao passo que combatia, exortava os soldados a cumprir os seus deveres, promotendo-lhes vitória, dando assim o exemplo a muitas outras mulheres que procuravam imitá-la.”Clara e Felipe Camarão tiveram participação heróica em vários confrontos contra o domínio holandês. Uma das batalhas mais memoráveis foi a de Porto Calvo, em 1637. As tropas do príncipe Maurício de Nassau já haviam incendiado Olinda, quando Clara Camarão, à frente de índias potiguares, combateu os holandeses com uma bravura que não conhecia limites.A primeira batalha dos Guararapes, em 1648, decisiva para a vitória das tropas luso-brasileiras contra os holandeses, foi a última em que Clara Camarão participou ao lado do marido. Nesse episódio, o general flamengo Arciszewski registrou que, em 40 anos de combate em campos da Europa, somente um inimigo, o índio Felipe Camarão, conseguira abater o seu orgulho. O bravo Poti, capitão-mor dos índios do Brasil, morreria de malária, em Pernambuco, meses depois dessa batalha.

Clara Camarão recolheu-se à viuvez e ao anonimato.

É provável que tenha voltado a Aldeia Velha, hoje Igapó, onde viveu mais alguns anos.